Uma penichette. Assim que ouvi falar neste tipo de embarcação fiquei pensando como seria ter a visão do interior da França por um ângulo completamente diferente, de dentro de um barco, em um rio.
Viajar de penichette é uma aventura organizada, escolhe-se o passeio de acordo com o seu interesse. Existem passeios para os amantes do vinho, para os que se interessam por história ou para aqueles que querem desfrutar da culinária local Escolhe-se o tempo do passeio e nunca deve-se esquecer de verificar o número de eclusas que o trajeto possui. Sim, eclusas, não há rio sem elas e são o ponto alto da navegação.
Escolhemos um rio calmo em uma região conhecida como o celeiro da França : o rio Baise na região da Aquitânia. Optamos por um trajeto somente de ida ( existe o de ida e volta) , o que significa ter de pagar mais 120 euros, escolhemos o plano com tudo Incluso, que apesar de mais caro no final do passeio não é necessário se preocupar com o diesel, com a limpeza do barco (é necessário entregá-lo limpo por dentro e por fora) , uma bicicleta e um estacionamento para o carro ( como não tínhamos carro, nos deram uma outra bicicleta ) e o Manual do Capitão, uma espécie de “certo e errado”da navegação. Pedimos também para incluir a carta fluvial , o que acaba sendo muito importante pois tem as cidades, eclusas e todo tipo de informação necessária.
No dia anterior fomos ao supermercado fazer as compras para abastecer o barco. Isto é de extrema importância, pois nem todas as cidades tem supermercado, e não são poucos que ficam a deriva em frente a uma mercearia local esperando que o simpático dono resolva abri-la ! Lembre-se que o comércio fecha entre 12 horas e 14:30 horas, e fecham ao meio dia no sábado , não abrem no Domingo e na segunda em muitas cidades o comércio fecha.
Finalmente, uma vez embarcada toda a tralha, o simpático Monsieur Bertrand, responsável pelo escritório da firma na cidade de Valence-sur-Baise deu início a sua explicação sobre o funcionamento do barco. Em um francês misturado com inglês onde a palavra mais utilizada eradoucement (gentilmente). A explicação durou uns 20 minutos, fomos informados não só do funcionamento do barco mas também dos procedimentos e regras do rio. Com todo entusiasmo colocou uma bicicleta no barco e nos informou que navegaria conosco ate a primeira eclusa, uns 10 min. do embarcadouro, afim de nos ensinar como funcionava uma eclusa, voltaria de bicicleta e nós sozinhos no barco.
Que emoção a primeira eclusa! Bertrand nos mostrou todo o procedimento de abrir as comportas, entrar e sair da eclusa. Feito isto, pegou sua bike e voltou para o cais, e nós com medo e emoção, tivemos de manobrar o barco de volta, passando sozinhos pela eclusa.
Primeiramente um dos tripulantes é largado em um pequeno cais, que existe em TODAS as eclusas, caminha até uma maquineta de abertura da eclusa e insere o cartão fornecido pela companhia dona do barco. Este cartão deverá ser devolvido na entrega do barco, e é com ele que você irá abrir todas as eclusas manuais. Ao inserir o cartão e apertar o botão a eclusa se abre e o barco pode entrar, uma vez lá dentro, aperta-se o botão de novo e a eclusa fecha e começa a encher ou esvaziar, conforme o necessário. Depois de entrar na eclusa, alguém a bordo joga as cordas para o que está do lado de fora, este a amarra em um pitoco e assim o barco fica seguro sem bater na laterais. Parece meio complicado, mas não é nem um pouco. Qualquer um com um pouco de disposição faz o procedimento.
Passamos cinco dias, o trajeto deveria ser feito em sete, mas realmente achamos que cinco estava de bom tamanho, pelo menos para este rio. A velocidade não pode ultrapassar os cinco nós, o prazer está em aproveitar o tempo passar com calma, olhar o visual, e finalmente chegar em uma das muitas pequenas cidades / vilarejos que permeiam as margens. Acordávamos cedo e por volta das nove partíamos, navegávamos por umas três horas, e nos trajetos mais longos não passávamos de quatro horas. Por vezes parávamos em uma cidade, saltávamos, almoçávamos e partíamos
lugins/TinyMCE/themes/advanced/langs/en.js" type="text/javascript"> para a próxima. Em outras, não saímos mais depois do almoço. Neste caso, normalmente a cidade tinha mais o que se visitar, ou passear pelos arredores.
Como tudo fecha as para o almoço, com exceção dos restaurantes, a opção era almoçar em um restaurante local e depois passear. Um almoço sempre regado a vinho nacional, fois-grasespecialidade da região, e um Armagnac , digestivo regional.
O jantar a bordo, sempre com produtos comprados nos mercados dos vilarejos, dava uma impressão que éramos moradores da região. Literalmente brincávamos de casinha.
O investimento para esse passeio é considerável; pagamos por um barco de 2 quartos aproximadamente 400 euros por dia, além de 120 euros para não retornar o barco na cidade em que pegamos (one-way). Ainda existe um custo de aproximadamente 80 euros para ter “tudo incluído” ( gasolina, limpeza, 1 bicicleta, 1 vaga de estacionamento ou mais 1 bicicleta).
Este é um passeio único e especial para os que gostam de apreciar a boa mesa e o ritmo calmo da vida provinciana de um interior rico em história e paisagens belíssimas.
Site: www.locaboat.com
Custo: Varia muito pois depende do barco que escolha assim como a época do ano e o roteiro que deseja seguir.
como chegar